Descoberta de Nova Espécie Fóssil em Moçambique
Com base num trabalho de campo iniciado em 2009, foi descoberta na Província de Niassa, uma nova espécie e novo género de vertebrado fóssil, um antepassado remoto dos mamíferos com cerca de 258 Milhões de anos.
Esta espécie pertence ao grupo de animais chamados Sinapsídeos e foi baptizado com o nome
científico de Niassodon mfumukasi, o que significa na língua Nyao, Rainha do Lago Niassa,
tornando-se assim uma homenagem à sociedade matriarcal, à mulher Moçambicana e à beleza do Lago Niassa.
O fóssil foi descoberto por uma equipa de paleontólogos de várias instituições e nacionalidades,
nomeadamente Moçambicanas, Portuguesas, Americanas e Alemãs que descreveu a anatomia
osteológica, histologia e neuroanatomia do Niassodon na revista científica “PloS ONE”.
A descoberta enquadra-se no Projecto PalNiassa que é um programa científico multidisciplinar
promovido pelo Ministério, fruto da cooperação internacional que conta com a participação de mais de duas dezenas de cientistas de três continentes com o objectivo de descobrir, estudar e preservar o património paleontológico moçambicano.
A descoberta contém importantes implicações no domínio da biologia evolutiva bem como da
paleontologia de vertebrados. Utilizando técnicas de micro tomografia computorizada por feixe de
sincrotrão foi possível compreender novos detalhes na anatomia dos sinapsídeos basais bem como as suas implicações para os ancestrais dos mamífero
Esta informação contextualizada filogeneticamente (i.e., genealogicamente) abre novas perspectivas com implicações paleobiológicas nos estudos da evolução dos tetrápodes modernos (i.e., animais vertebrados com quatro membros).
O Niassodon mfumukasi é o primeiro novo género e espécie de vertebrado fóssil de Moçambique, este espécime é um raro exemplo de um sinapsídeo basal com o crânio e o pós-crânio preservados em associação. A Africa do Sul, Tanzania, e outras partes do mundo existem descobertas, mas esta espécie só existe em Moçambique.
O facto representa a mais antiga evidência fóssil de um centro de ossificação secundário num osso longo, o que indica que já nestes ancestrais de mamíferos os ossos dos membros ossificavam de forma semelhante, pelo que será publicado numa Revista Científica.
O fóssil encontra-se temporariamente no Museu da Lourinhã, em Portugal, onde poderá ser visto pelo público, estando previsto para o próximo ano o seu regresso a Moçambique onde irá incorporar as colecções do Museu Nacional de Geologia em Maputo.
O trabalho de campo de recolha e estudo do espécime decorreu em Moçambique, em 2009, com o financiamento do Governo moçambicano. A sua limpeza e estudo decorreram nos laboratórios do Museu da Lourinhã e do Instituto Gulbenkian de Ciência, Portugal, em colaboração com a Southern Methodist University dos EUA, tendo a digitalização em 3D ocorrido nas instalações do sincrotrão alemão de Hamburgo.
A apresentação pública da nova espécie fóssil terá lugar no dia 5 de Dezembro de 2013, no Museu Lourinhã, onde estará presente Luís Manuel da Costa Júnior, Director Nacional do Museu Nacional de Geologia.
Importa destacar que neste trabalho o moçambicano Luís Manuel da Costa júnior é membro da equipa de paleontólogos que juntamente com outras instituições e nacionalidades, nomeadamente Portuguesas, Americanas e Alemãs descreveu a anatomia osteológica, histologia e neuroanatomia do Niassodon e a publicação enquadra-se no Projecto PalNiassa.
Fonte:MINISTÉRIO DOS RECURSOS MINERAIS